Thursday, February 24, 2011

16 ANOS


Faz hoje 16 anos que cheguei a Macau, cheia de receio e esperança, com poucas certezas e muitas dúvidas.
A ideia era ficar um ou dois anos para nos ajudar a começar a vida.
Encontrar emprego não foi fácil e eu já estava quase decidida a ir embora quando tal aconteceu.
Cerca de um ano depois de eu começar a trabalhar fomos a Portugal e comprámos a nossa casa, com muitas dúvidas e muito medo do que aconteceria se não conseguíssemos pagar as prestações.
Algumas amigas diziam-me para ter um filho, que em Macau era mais fácil, podia ter empregada para cuidar dele, mas nós fazíamos contas e não nos pareceu a melhor altura. Hoje tenho pena… adorava ter sido mãe mais cedo.
Depois o “fantasma da transição” aproximava-se, 1999 era um ano que assustava a maioria dos portugueses e macaenses. O Governo da República ofereceu-nos a possibilidade de ingresso nos quadros da função pública em Portugal.
A minha família, toda em Portugal, pressionava-me para que aceitasse. Os amigos de Macau que ingressaram também… Foram dias complicados…
Depois os amigos partiram… eu fiquei e senti-me um pouco abandona, sozinha, tal como tinha acontecido quando cheguei a Macau e não conhecia ninguém.
Alguns amigos ficaram e ajudaram a superar a crise. Fiz um mestrado e arranjei mais amigos, alguns que também já não estão em Macau.
Entrei para o quadro da função pública no ano em que fui mãe pela primeira vez. Uma queixa obrigou-me a sair do quadro uns meses depois. Coloquei um processo ao Governo da RAEM e, talvez com alguma dose de sorte, ganhei.
Comprámos casa em Macau, a medo, com duas mensalidades para pagar, em Macau e em Portugal.
Gostei tanto da experiência de ser mãe, que mesmo depois de sempre ter dito que queria ser mãe apenas de um menino, resolvi repetir a experiência e fui mãe de uma menina. Acompanhar os filhos a crescer tem sido maravilhoso. Ainda pensei em ter mais filhos, mas não tenho idade para essas aventuras.
A minha avó ficou doente, muito doente, esteve num lar (e o que me custou ela ter ido para lá?!), foi internada e faleceu. Fiz sozinha a pior viagem da minha vida e parti de Macau em menos de 24 horas. 5 dias depois estava de regresso. Deixei a minha filha bebé a gritar por mim no berço com 2 anos e até hoje ela recorda-se… e tem medo da morte e de ficar sozinha e me perder. E chora porque não quer que eu morra…
O trabalho mudou, muito, e hoje em dia o chinês domina. Sei falar alguma coisa e ler, mas não chega, precisava de saber mais… o português também é língua oficial e na China dizem que é importante, mas aqui… aqui é Macau onde todos são mais “papistas que o papa”.
Não me estou a queixar, o balanço é positivo e se voltasse atrás e começasse de novo talvez fosse mãe mais cedo, tivesse comprado uma casa maior, mas não alteraria muito ao meu percurso. Perguntam-me se um dia vou regressar. Não sei, o dia de amanhã ninguém o viu, já dizia a minha avó. Mas gostava… para a reforma eh eh eh

3 comments:

Helena said...

uma vida, mas ainda bem que o balanço é positivo.
beijocas

ameixa seca said...

Acho bem que só voltes quando fores reformada porque aqui isto está do caraças :)

IMaria said...

se o balanço é positivo pporquê mudar?