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Tuesday, January 13, 2009

CIGANA

Cresci numa fazenda, cheia de liberdade, uma liberdade que as crianças de hoje não conhecem. Corria pelos campos, trepava às arvores e desaparecia durante horas pelos pinhais das redondezas à procura de pinhões, de amoras ou simplesmente à aventura. Ninguém se preocupava por estar tanto tempo “à solta”. Eram outros tempos.
Recordo-me de um dia estar a brincar na carreta que havia na fazenda e pela estrada aparecer uma cigana, coisa normal, andavam pelos campos a pedir às pessoas para ler a sina para ganharem uns trocos.
Recordo-me que pediu à minha avó para lhe ler a sina, mas a minha avó não tinha dinheiro e nem queria que lhe lessem a sina e disse-lhe que não queria e ela respondeu à minha avó que “a sua menina um dia vai partir para muito, muito longe de si e vai morrer cedo”. Quando a minha avó ficou doente recordei várias vezes as palavras da cigana e a parte de ir para muito, muito longe realmente cumpriu-se, ou talvez tenha sido coincidência, não sei, mas espero que a segunda parte não se concretize tão cedo :)

Google Images

Wednesday, December 19, 2007

Há 3 anos...

No dia 19 de Dezembro de 2004 fomos de férias para a Tailândia, como quase todos os anos no Natal, excepção para o ano passado (Portugal) e este ano (Macau).
Chegámos à tarde e estávamos tão cansados que comemos e fomos dormir um pouco.
Pelo menos foi o que planeámos, mas estávamos tão cansados que ninguém se levantou, nem o meu boneco!
Dormimos até ao dia seguinte e levantámo-nos cedo, muito cedo, talvez por volta das seis da manhã. Tomámos pequeno-almoço e fomos à praia.

O boneco sempre teve medo da praia, tanto que o seu primeiro banho de mar foi nestas férias em Outubro, na Tailândia.
Alugámos as cadeiras, mas com o boneco sempre a chorar a dizer que tinha medo do barulho das ondas.
Depressa desistimos da praia e voltámos para o hotel, para a piscina.

O papá e o filho foram para a água brincar enquanto eu fui por as toalhas nas cadeiras.
Ouvi o boneco chorar e pensei que se tinha magoado um pouco, mas quando olhei vi o papá com ele ao colo a chamar-me, larguei tudo e corri para eles.
Quando vi o boneco ia-me dando uma coisa má.
Tinha sangue a escorrer-lhe pela cara abaixo.
Fiquei gelada debaixo de um sol de 36 graus!

Caiu do escorrega (para crianças) que está na beira da piscina para escorregar para a piscina.
Subiu o escorrega normalmente e sem dificuldade, mas sentou-se muito atrás, portanto fora do escorrega e caiu para trás. O papá estava na água à espera dele descer e não pode fazer nada.

Ele chorava e pedia para a mamã dar beijinho para passar o dói dói (técnica que lhe ensinei e funciona na maioria das vezes mas daquela vez...)
Dei-lhe montes de beijinhos com tanta vontade de chorar (ou mais) que ele.
Ele parou de chorar e ali ficou ao colo do papá enquanto tentávamos apanhar táxi para ir ao hospital.

Fomos ao hospital de Patong e mal chegámos mandaram-nos logo entrar e deitá-lo numa cama.
Ficámos sempre com ele.
Primeiro veio uma enfermeira vê-lo e depois o médico observou-o.
O médico, tal como eu, estava preocupado porque ele tinha caído de costas e podia ter-se magoado em qualquer outro sítio não visível, embora o boneco dissesse que só tinha dói dói na cabeça.

A enfermeira amarrou o boneco com os braços esticados ao longo do corpo, de modo a não se mexer com umas faixas tipo colete de forças a uma coisa parecida com uma tábua, e deu-lhe anestesia directamente na ferida. O boneco choramingou um pouco mas eu estive sempre a falar com ele para o acalmar. É que além de estar todo amarrado, também tinha um pano a tapar-lhe a cara, pelo que não via nada do que se estava a passar.

Ele estava cheio de medo, mas portou-se tão lindo que me orgulho dele. Claro que na altura nem reparei se ele se estava a portar bem ou mal, só queria que tratassem dele.

A enfermeira limpou a ferida e, o que ainda hoje me impressiona foi ela separar as duas partes da ferida para enfiar um algodão lá dentro e limpar. Depois levou 4 pontos e ficou com um penso enorme que mal abria o olho.

Saímos do hospital com 4 pontos, um penso enorme, a testa toda negra e a recomendação de não molhar a ferida. Voltámos lá dois dias depois para mudar o penso e fomos tirar os pontos no dia de Natal.

Hoje, lembra-se que fez dói dói grande no escorrega vermelho e foi de tuk tuk para o hospital. Ficou uma pequena cicatriz junto à sobrancelha esquerda que mal se nota.

Para mais tarde recordar que a ele realmente tudo lhe acontecia.