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Thursday, February 12, 2009

ADORMECER



Todos os dias, o ritual do adormecer inclui o “coça-coça”. O papá faz festinhas nas costas do filho e eu faço nas costas da filha. Antes da filha nascer, eu fazia ao filho e não tinha paciência porque ele se mexia muito, tinha sempre coisas para contar, estava sempre a ajeitar-se na cama e nunca mais adormecia. Quase todas as noites ralhava com ele para estar quieto e dormir que eu tinha coisas para fazer. Não o deixava contar o que queria contar e ele acabava muitas vezes por chorar porque eu ralhava com ele.

Com a amorinha é igual, embora se mexa menos que o mano, também se ajeita e tem coisas para contar. Antes eu ralhava com ela, mas ela é mais sensível que o mano e bastava eu dizer o nome dela de modo mais duro que o normal que começava logo a chorar, com lágrimas a escorrer pela face a dizer “tu zangaste comigo” e eu comecei a pensar, realmente porquê zangar com eles por algo tão insignificante? Porque não ficar mais um pouco com eles? Porque este tempo é especial, é de mimo e é tão nosso. E eles crescem tão, tão rápido que o melhor é aproveitar, porque um dia vão dizer que não preciso ficar e nesse dia vou ficar triste.
A roupa para preparar para o próximo dia, o pequeno-almoço do dia seguinte, a cozinha, a mochila da escola, pode esperar, pode ser preparado, arranjado, arrumado mais tarde porque aquele mimo enche-me de felicidade, dá-me paz e tranquilidade e enche-me o coração. E, depois deles adormecerem, ainda fico uns minutos a fazer-lhes festinhas e a mimá-los. E sabe-me tão bem.
E, porque os amo acima de tudo, para eles tenho “todo o tempo do mundo!”

Tuesday, April 15, 2008

A SAGA DE ADORMECER A AMORINHA

Já há muito tempo tinha prometido que um dia contaria a odisseia que é colocar a amorinha a dormir. Longe vai o tempo da promessa, mas ela não está esquecida, digamos que está apenas adormecida. Ou será que quem está adormecida sou eu?...
Continuemos... Na altura ela ainda estava no meu quarto, mas tirando o quarto e a cama, tudo o resto se mantêm. Valha-me o facto do mano ter uma adoração tal pela mana que adormece com ela a fazer barulho e dorme como se nada fosse, mesmo quando eu saio do quarto por breves minutos e ela grita por mim a plenos pulmões.
Valha-me igualmente o facto curioso (tal como aconteceu com o mano) dela não sair da cama para ir ter comigo.
Ora vamos lá com horas (mais ou menos...mas isso agora também não interessa)

18:30 – 19: 30 Banho - “O mano pimeio” pois ele quer ser sempre o primeiro e ela já o ouviu tantas vezes que agora ‘É mesmo sempre ele o primeiro

19:30 – 20: 30 Jantar – Ainda tenho de cortar a carne em pedaços muito, muito pequenos senão ela não os come, o arroz convém que seja branco porque com vegetais, embora já coma, refila sempre. Ah, e tem de haver salada de alface temperada em TODAS as refeições, senão ela grita que quer “fache” (=alface), aliás é o único vegetal que ela come.
Adora peixinho e chama peixe à carne, se eu disser que é peixe ela come, se dizer que é carne diz que não quer. “Aldraba-se” o burro à vontade do dono e eu vou dando (sim, se eu não der à boca ela não come, é uma costela alentejana muito acentuada J) a carne e dizendo que é peixe.

20:00 – 21:00 Brincam um pouco, vêem um pouco de televisão e eu começo cerca de 30 minutos antes a avisar que está na hora de ir para a cama, com o boneco e a amorinha a refilar em coro que está a dar (pela enésima vez !) o Tom e Jerry na TV.
O boneco bebe um copo de leite a ver televisão (sim, ele exige o leite e eu não recuso, mas se não quer beber todo, pois afinal passou pouco tempo desde que jantou, também não digo para beber). Ela fica a ver TV e o mano e só vem para o quarto vestir o pijama quando ele vai lavar os dentes.
Visto o pijama à amorinha e digo para o papá verificar se o mano precisa de ajuda porque às vezes a pasta de dentes está no fim e ele não consegue tirar. Ele acaba de lavar os dentes e veste o pijama.
Em dias alternados o boneco e a amorinha ligam a luz de presença, desligam a luz do tecto e tiram o dia que passou do calendário (de pano e com os dias que colam com velcro).

21:30 - Os dois nas respectivas camas. O papá faz festinhas nas costas do mano, eu dou o leite no biberão à amorinha que TEM (decisão dela) de o beber todo, mesmo que esteja cheia do jantar... depois queixa-se que lhe dói a barriga, mas se não a deixo beber chora até vomitar que quer titinho...
Depois de beber o leitinho, xixi e lavar dentinho (“dói dói aqui, dói dói hi hi hi – dentes de baixo e de cima juntos – ela refila o tempo todo desde que sai da cama até lavar os dentes).

Na casa de banho, senta-se na sanita e muitas vezes fica lá imenso tempo porque diz que tem “put-ploc” e faz força, abraçada ao meu pescoço com a cabeça num dos meus ombros, adoro o mimo mas não tenho paciência para ficar naquela posição de joelhos em frente à sanita com ela a cantar e a bater palmas, feliz da vida (a minha filha é a criança mais feliz que conheço que tem sempre um sorriso de felicidade no rosto como eu nunca vi, daqueles que iluminam os dias mais cinzentos).
Quando a odisseia do “put-ploc” acaba, temos de esperar o xixi e ela até bate palminhas de felicidade e os olhos brilham. Quando demora faz o som “shhhh” que é o que eu lhe fazia quando era mais pequena para ela fazer xixi. Depois lavo-lhe os dentes, sento-a ao lado da bacia, coloco-lhe a toalha à volta do pescoço e esfrego-lhe os dentes devagarinho, tem dói dói (nem sei se tem ou não, mas pode até ter aftas de vez em quando, não vejo nada ultimamente, mas ela reclama mesmo assim).
Depois de lavar os dentes tem de lavar a cara – adora (vá-se perceber porquê, talvez porque a acorda) – e finalmente vai para a cama.

Por esta altura já deve ser entre 21:45 e 22:00 e em 99% das vezes já o mano ressona quando voltamos da casa de banho.
Ela vai para a cama e refila que tem calor e quer “coça- coça” (festinhas nas costas).
Como sei que o tempo médio para ela adormecer é de uma hora costumo dizer-lhe que vou tomar banho e depois volto para “coça coça” e ela diz que não mas eu vou e digo que ela não pode fazer barulho para não acordar o mano e vou tomar banho. Se não lavar o cabelo, é mais rápido e ela não grita, quando lavo o cabelo ela grita “Mamã” tão alto que eu consigo ouvir. O pai lá vai sossegá-la, mas depois eu vou lá.
Se já tomei banho e lhe digo que vou arrumar as coisas e lavar o biberão então começa a gritar por mim muito mais cedo (não, por incrível que pareça o irmão não acorda!).

Sento-me no chão ao lado da cama e enfio o braço entre a cama e a barra de protecção lateral (ainda bem que não sou gorda eh eh eh) e vou fazendo festinhas, primeiro nas costas, depois quer “massaxem” na barriga que tem dói dói (a hérnia e o facto de comer muito por vezes faz com que tenha dores e nesses dias é muito complicado para adormecer).

Para ter festinhas digo sempre que ela tem de fechar os olhinhos, mas de vez em quando espreita-me e ralho com ela que para dormir tem de fechar olhinho e ela diz com voz sofrida “Dexcupa” e finge que chora. É um doce e mesmo quando tenho menos paciência sorrio com o modo como ela me derrete o coração. E não se cala com aquele “dexcupa” sofrido enquanto não lhe digo “I love you”

De vez em quando lembra-se de algo que lhe aconteceu na creche e conta-me e eu digo sempre um “Está bem, agora dorme” e se o disser em tom mais zangado voltamos ao “dexcupa”.
Por vezes tenho tanto sono que quase que adormeço ali sentada no chão a fazer-lhe festas.
Quando começa a pedir festas nas costas, na cintura na zona da fralda é porque já está quase a adormecer, mas por vezes começa a respirar como se estivesse a dormir, aliás adormece mesmo durante uns 5 minutos e depois desperta para contar qualquer coisa, ou para ver se estou lá.

Quando finalmente adormece eu já estou cansadíssima.
Adoro adormecê-la, mas ultimamente ando em arrumações e escolha das roupas deles que servem, não servem, quero e não quero, as que são para guardar dele para ela e as que são para dar... e o tempo que “perco” (ganho em mimo) faz-me falta.
Houve dias em que com uma mão lhe fazia festas e com a outra ia escolhendo as roupas
E ai de mim que saia de lá porque aí ainda desperta mais...
E, se tiver sorte, às 22:30 está a dormir, dias há em que só lá para as 23:00 é que tal acontece e aí quem já não tem paciência para fazer nada sou eu...

Depois, uns dias por volta das 3:00, outros às 4:00 e outros às 5:00, ela acorda e pede o seu “titinho”. Se tiver sorte adormece de seguida, senão pede festinhas e eu já lhe expliquei que depois de ter mudado de quarto não há festinhas no meio da noite. Umas vezes fica sem refilar, outras choraminga.
Nos dias em que o mano está mais cansado esta agitação nocturna não o perturba, noutros acorda e tembém pede um copo de leite.
E, quando acordam um a seguir ao outro eu até acho bom.
Cansativo é acordarem e pedirem leitinho com uma hora de intervalo...

Friday, March 23, 2007

HORA DE DEITAR

(Post longo para eu me lembrar. Podem saltar, desejo a todos um bom fim de semana!)

Hora de deitar, começa o espectáculo.
O mano tem de ir ao mesmo tempo que ela senão nada feito, não vai, recusa-se a ir.
Do ritual faz parte o leitinho.
Primeiro para ele bem quente
Depois para ela morno, quase frio senão vem a reclamação num tom ligeiramente elevado “quenque!”
O mano deita-se na cama dele a beber o leitinho
Ainda com a “roupa de trazer por casa” e de fraldinha de pano na mão, a companheira de todas as noites, SEMPRE.

Ela brinca no quarto do mano, por vezes com o biberão de leite debaixo do braço, outras pousa-o na mesa do mano.
A seguir ao leitinho, o boneco escolhe o livro que vamos ler e a mana vai também “escolher” (leia-se desarrumar) um livro, ou dois, ou três...
Acabada a história é tempo de xixi, lavar dentinhos e deitar.
Luz de presença ligada (indispensável!), boneco na cama, dou-lhe um beijinho e faço-lhe umas cócegas.
Sussuro-lhe ao ouvido: “Amo-te muito”
“Amo-te mais, e mais, e mais!” é o que obtenho de resposta já com a mana a puxar-me por um braço.
O papá fica a fazer festinhas nas costas do boneco, que ele adora, eu vou mudar a fralda à mana.

Enquanto mudo a fralda digo-lhe para tirar as meias (daquelas com bolinhas de plástico na sola anti derrapantes), dou-lhe beijinhos nos pés. Ela ri-se. Às vezes vai bebendo o leite, outras dá-me “põe!!!”, para por na mesa de cabeceira.
Ponho-lhe o pijama, ela pega na fralda suja e vai por no lixo da casa de banho do meu quarto. Depois vai ligar a luz de presença e o intercomunicador.
Pede-me colo para desligar a luz do tecto, de seguida apanha a fraldinha de pano que está na cama dela.

Sento-me na minha cama e dou-lhe o leitinho, eu seguro o biberão, ela não o quer segurar, ela segura os cantos da fralda de pano e às vezes o Noddy “que ri” que dorme com ela.
Depois do leitinho sento-a no meu colo e faço-lhe festinhas nas costas para que arrote. Nem sempre resulta e ultimamente nem quer...
Depois tenho de começar a convencê-la que está na hora de ir para a cama dela...
Hora de começar o espectáculo...

Choraminga e abraça-se mais a mim, num miminho que adoro mas continuo a conversar com ela que tem de fazer ó-ó na cama dela que eu preciso de arrumar as coisas, ou que fico ali na minha cama até ela adormecer, mas o chorinho continua num ahn ahn baixinho a fazer caretas, mas sem lágrimas, apenas uma lamúria... Mais um abraço um “I love you” e um “Ai vov iu” com um sorriso, um tapar-me a cara com a fraldinha de pano numa tentativa que brinque com ela (e aqui eu vejo quanto o meu tempo com ela, com eles é pouco). Às vezes brinco, outras digo que já ;e tarde e precisa dormir. O resultado é o mesmo: quando a vou colocar na cama levanta-se num salto, choraminga, pede “cóuinho” que às vezes tem, outras não, depende da hora.

Mais um beijinho na testa enquanto lhe digo que gosto muito dela, mas são horas de dormir e a mamã precisa de arrumar as coisas, lavar o biberão dela. Olha-me e lamuria-se, diz “xucho” apontando o biberão. Isto acontece entre as 21:00 e as 21:20.
Saio do quarto e ela choraminga, depois cala-se. Ao fim de uns 5 minutos (afinal já deu tempo de lavar o biberão, não?!) começa a chamar: “mámy!”, primeiro baixinho, depois começa a subir o tom e se não chego lá em menos de 5 minutos está a gritar a plenos pulmões. O mano dorme, cansado da brincadeira.
Vou lá e ralho com ela, “Ai, ai, ai, não faz barulho, o mano está a fazer ó-ó!”. Cala-se enquanto falo, olha-me e sorri (vitoriosa?). Mal acabo de falar e ela grita “Mano, sonho (sono)!”. Faço “shiu” e ela choraminga.

Está de pé agarrada às grades e salta, pisa o Noddy que ou toca como se fosse um telefone, ou ri umas gargalhadas que acho ridículas (Ah, ahah, ahahah) mas que ela adora. Digo-lhe para se deitar e começo a preparar a roupa dela para o dia seguinte (e muitas vezes a minha). Ela deita-se a choramingar e pede “cóuinho”. Se lhe dou “cóuinho” ela enrosca-se a mim e fica quieta uns dois minutos (tanto?), depois começam as lições de anatomia “oio”enquanto me espeta o indicador no olho, “trimm, naniz” e carrega-me o nariz, “bôca” e enfia-me o dedo na boca para me tocar no “denti” e não pára de dizer “línga” até que lhe mostre a língua.
Depois bate na “tonta” (cabeça) dela e na minha de seguida, e fala no “belo” (cabelo) e procura o “ancho” enquanto lhe digo que para dormir não pode ter ganchos. Sorri e enfia-me o dedo nos ouvidos dizendo “lholhelhas” (orelhas).

Começo a ficar cansada e dou-lhe um beijinho na testa enquanto lhe digo “faz ó-ó, a mamã põe a menina na cama da menina para fazer ó-ó”. Acaba-se a boa disposição e lamuria-se. Pede “cóuinho” mas não volto mais atrás, muitas vezes consegue o primeiro colo porque tenho medo que vomite se a deixar chorar e se ela é perita em provocar o vómito!

Como não cedo começa a gritar, a fingir que chora. Digo que preciso ir “lá fora” (entenda-se fora do quarto) e ela lamuria-se ainda mais alto. Estou cansada e sem paciência e prefiro deixá-la. Ao fim de uns minutos ouço-a a cantar em altos berros e não percebo como o mano consegue dormir. Canta, bate palmas, grita “mámy!!!” e salta. Tenho vontade de “atirá-la pela janela” e vou lá ralhar com ela. Só penso “se o mano acorda...”

Digo-lhe para se deitar, ela continua de pé, apenas parou de saltar, a cama parece que foi atingida por um tornado. Ajeito a cama, enquanto ela me olha, volto a mandá-la deitar. Ela não parece ter muita vontade de o fazer. Parto para a chantagem e digo-lhe que vou “para fora”, ela grita “Não!” e eu digo “então a menina deita-se e a mamã fica”. Ela deita-se e eu fico na minha cama a tentar ler alguma coisa com a fraca luz de presença.
Começa a falar e depois a cantar. Ralho com ela, que me vou embora e levo o Noddy. “não!!!”, cala-se dois minutos, ouço-a às voltas na cama mas não olho para que não ache que quero brincadeira. “Ai, ai, ai” resmunga ela e eu sei que atirou a toalha dela para o chão. Apanho a toalha, ajeito a roupa da cama enquanto os seus olhos bem abertos me olham desafiadores, parece-me. Canta, mais uma vez a ameaça que vou embora...

De repente cala-se e ouço a respiração mais pesada, penso que está quase a adormecer, mas um minuto depois está a gritar “pápel!!!”, dou-lhe um lenço de papel para limpar o nariz, sem lhe dizer nada. Ela limpa o nariz e esfrega os olhos. O sono ameaça vencê-la...Volto a deitar-me. Ela continua às voltas, por vezes diz algo num tom que já não percebo. Mais de uma hora e meia(!!!) depois é finalmente vencida.
E eu estou tão irritada que me passou o sono e o cansaço!