Monday, January 29, 2007

HERÓI?...

O comentário da Noite deixou-me a pensar que realmente as notícias são uma bela maneira de distorcer a realidade (ou não...) e neste caso de levar as pessoas a acreditar que o pai adoptivo, num processo que nunca foi concluído, está a fazer tudo para o bem da menina.
Também pensei (penso?) assim, mas fui dar uma espreitadela ao Acordão do tribunal e fiquei com algumas dúvidas.
Não quero mudar a opinião de ninguém e acredito que o senhor tenha melhores condições de criar a menina que o pai biológico, que, tal como disse a Noite nem teve qualquer oportunidade de demonstrar se é bom pai ou não...
Bem, avaliem e vejam o Acordão e voltem a pensar sobre o assunto com mais informação.

7 comments:

Jane & Cia said...

Posso acresecentar que li a notícia da Visão e fiquei com uma outra ideia sobre o assunto. Estão a erguer um herói e a crucificar um carrasco, e no entanto esquecem-se que estão a falar de pessoas.

Mas o pai (biológico) da menina desde 2002 (e se ela tem cinco anos teria meses) que disse: se ela for minha filha eu assumo-a! Porque é que foi preciso esperar 5 anos?

edelweiss said...

O pai biológico não acreditou que a menina fosse filha dele e nem sequer a registou como sua filha. Está a pagar por esse erro, e a menina não tem culpa do erro do pai.

maria-joão said...

Começei a ler o acordão mas não tenho tempo para continuar.
De qualquer forma independentemente do interesse que possam ter ou não tido pela menina, a verdade é que ela tem a sua familia constituida no coração. Na minha opinião fica sempre melhor onde sempre esteve.

Sandra said...

Nesta "história" toda, ninguém se lembra realmente do que a menina possa pensar, ou sentir.
Eu tinha quase 5 anos quando os meus pais se divorciaram. Tinha meses quando se separaram. Na altura tive pouco contacto com a minha mãe biológica e mais com o meu pai. Apesar de tudo fui a um psicólogo, destacado pelo tribunal a fim de ser determinado a qual dos dois eu estaria sentimentalmente mais ligada. Ao meu pai, como é óbvio. E assim, na Alemanha, há 31 anos atrás foi dado o poder paternal ao pai, um homem (claro), e ainda por cima cidadão estrangeiro. Caso inédito para aquela altura. Tudo com base no relatório do psicólogo. Hoje trato a minha madrasta por mãe. A "biológica" apenas tem contacto comigo há muito pouco tempo.Tenho um meio irmão, e pelo que sei da infância dele, dou graças a deus por ter ficado com o meu pai.
Estou do lado da criança, que estabeleceu laços de amor e afectividade com o casal que a criou. Mais nada. Sem tomar em consideração que eles só pediram a adopção talvez tarde demais. Acredito que eles nunca imaginaram que os pais biológicos a pudessem pedir de volta. E muito honestamente, eu no lugar deles faria o mesmo. Nunca deixaria uma criança a quem tinha dado amor , a pessoas das quais desconhecia que a fossem amar como eu a amaria. Nunca. Nem mesmo aos pais biológicos.
beijos
Sandra (Tiago e diogo)

Noite said...

Sandra, queria acrescentar algumas ideias, depois de mais ler e mais reflectir sore tudo isto.
O Pai não acreditou que fosse Pai, é natural, tendo em conta o historial da Mãe. Mãe só há uma, já pais... Mas assim que soube que a criança era sua quis perfilhá-la. As coisas arrastaram-se até aqui, porque o casal que a acolheu andou sempre a fugir de a entregar.
Eu não sou legalista ferranha, tenho coração, mas achei que devia alertar para os factos que muita gente desconhece.
Em minha opinião, este caso vai ter que ter um desfecho especial, contra muito do que está previsto e regulado, porque é de pessoas que se trata. Estando a criança já integrada numa família e havendo uma relação familiar já solidificada, não se deve destruir. E se na adopção devem salvaguardar-se os interesses da criança, neste momento a melhor opção é deixar a criança com quem está (talvez tentando que estabeleça algum tipo de relação com o seu Pai biológico [o que era suposto não acontecer numa situação normal], tal como se inclina o MP). Mas uma decisão destas pode abrir precedentes graves, pelo que a sociedade deve aprender com tudo isto: este tipo de situação não pode repetir-se e deve servir unicamente como exemplo a não seguir!

NaRiZiNHo said...

Tento estar à margem deste assunto.
Mais uma vez, o que vem sendo habitual, a comunicação social só passa aquilo que convém.
O erro foi cometido há 5 anos atras por todos, desde tribunais a pais adoptivos e biologicos. Infelizmente quem sofre é a criança.
:-*

Scarlett said...

Também não tenho comentado muito este assunto, uma das vezes que o fiz remeti para o acordão, que não li na totalidade.

Existem várias formas de ver a mesma realidade, neste caso a dos pais biológicos e a dos pais adoptivos. E não consigo dizer que uns estão certos e outros errados. Todas as pessoas agiram mal mas faz-me confusão o facto de já terem crucificado o pai biológico.

Se puderes dá uma volta pelo blog "Da literatura" - http://daliteratura.blogspot.com
tem dois post que achei interessantes:

"citação 59" de 25 de Janeiro
e
“Ler ajuda a perceber “ de 22 de Janeiro


O principal é a criança e disso não nos podemos esquecer e todos nós enquanto adultos devemos ter o cuidado de agir de acordo com os interesses deles e não com os nossos.

Quem pode julgar um casal que sempre deu amor e carinho aquela criança?
Mas quem pode julgar um pai que quer realmente ser pai e ainda ninguém deixou?